Até recentemente, a grande questão no iGaming era se a IA representava uma tendência passageira ou uma necessidade futura para o crescimento dos negócios. Segundo o relatório 2026 Tendências de iGaming da SOFTSWISS, a IA passou a integrar as operações padrão da indústria: mais de 350 profissionais avaliaram sua importância em 8,41 de 10 em 2026, um aumento discreto em relação aos 8,15 registrados em 2025. A pequena diferença anual reforça justamente esse cenário — a IA mantém um nível consistentemente elevado de relevância e já é considerada um requisito consolidado no iGaming.
Em toda a indústria, essa transformação é mais visível no desenvolvimento de jogos, na proteção ao jogador e nos processos de CRM. Antes, por exemplo, a proteção ao jogador funcionava como um detector de fumaça — útil, mas apenas depois que algo já havia dado errado.
Em 2026, modelos impulsionados por IA conseguem monitorar jogadores individualmente e identificar sinais de alerta nos padrões de apostas de forma contínua. Modelos baseados em comportamento utilizam dados individuais para permitir intervenções mais rápidas e precisas, substituindo os alertas genéricos típicos de sistemas anteriores.
Dados redefinem as regras do design de jogos
Empresas que analisam transmissões de slots passaram a integrar ferramentas aprimoradas por IA para substituir a intuição no desenvolvimento de jogos por decisões orientadas por dados. A Strmlytics, por exemplo, analisa mais de 10 mil horas de conteúdo da Twitch, do Kick e do YouTube todos os meses, identificando quais recursos atraem mais atenção dos jogadores e quais elementos visuais influenciam o engajamento da audiência.
A BGaming, em parceria com a Strmlytics, aplicou os insights coletados diretamente no jogo Aztec Clusters. Nos primeiros 30 dias, o título alcançou 6 milhões de minutos de alcance total. Até o final do ano, o airtime aumentou 25%, enquanto o alcance cresceu 14%.
A abordagem em relação ao RTP e à volatilidade evoluiu da mesma forma: matemáticos de jogos sempre definiram esses parâmetros, mas trabalhavam com modelos limitados por dados comportamentais reais. Com acesso a dados em larga escala sobre o comportamento dos jogadores, as configurações atuais podem ser calibradas com base em como os jogos realmente são jogados.
Modelos impulsionados por IA analisam a jornada do jogador em tempo real
A integração da IA expandiu o CRM de uma simples ferramenta de execução de campanhas para um sistema que apoia decisões de retenção por meio de segmentação, personalização e otimização de bônus.
A Optimove, por exemplo, incorporou modelos preditivos de IA para orientar campanhas e antecipar o comportamento dos jogadores. O AI Decisioning Studio da Optimove atua em tempo real, enquanto o jogador ainda está em sessão, sem necessidade de intervenção humana. Segundo o relatório 25 Customer Engagement Trends For 2025, da Optimove, jornadas impulsionadas por IA geraram, em média, um aumento de 33% no lifetime value dos clientes para operadores.
Denis Romanovskiy, Chief AI Officer at SOFTSWISS, comenta:
"Na SOFTSWISS, implementamos IA para automatizar o processamento de grandes volumes de mensagens de provedores de pagamento, que antes precisavam ser tratadas manualmente. O tempo de preparação de documentos caiu de aproximadamente quatro horas para 20 minutos, e agora um colaborador consegue lidar com um volume de casos duas a três vezes maior."
Ferramentas de IA em cibersegurança: proteção e ameaça ao mesmo tempo
O cenário de cibersegurança no iGaming também está mudando: ferramentas impulsionadas por IA estão levando operadores além do compliance para uma gestão estratégica de riscos. Sistemas de detecção de fraude baseados em IA permitem analisar transações e comportamentos suspeitos com mais precisão e antecedência. A Sumsub, por exemplo, aplica Graph Neural Networks ao comportamento dos jogadores e ao histórico de dispositivos. Esse nível de detalhamento permite identificar padrões de fraude que sistemas baseados apenas em regras não conseguem detectar.
Eleni Panagiotopoulou, Head of AML at SOFTSWISS, descreve essas mudanças na prática:
"Em vez de bloquear usuários com base em regras rígidas, o sistema analisa comportamentos e sinaliza apenas atividades genuinamente suspeitas, reduzindo falsos positivos e simplificando as verificações de KYC e AML."
Ao mesmo tempo, o volume de dados e a complexidade dos crimes cibernéticos continuam aumentando, exigindo que operadores reforcem suas medidas de segurança.
O início de 2025 tornou esse cenário ainda mais evidente. A TipSport, uma das maiores operadoras de apostas da República Tcheca, reportou um aumento significativo em invasões de contas e atividades automatizadas por bots. As ferramentas por trás desses ataques — vozes deepfake, identidades sintéticas e documentos gerados por IA — foram desenvolvidas especificamente para burlar verificações de KYC.
Além disso, o Anti-Phishing Working Group registrou mais de 1.003.000 ataques de phishing apenas no primeiro trimestre de 2025 — um aumento de 180% em relação ao mesmo período de 2023. Segundo o relatório GASA Global State of Scam 2025, os golpes causaram perdas estimadas em US$ 442 bilhões em 2024.
O relatório 2026 Tendências de iGaming da SOFTSWISS destaca pilares estratégicos fundamentais para a cibersegurança em 2026:
- Treinamento de equipes e simulações regulares de phishing.
- Limites de pagamento definidos com verificação automática.
- Proteção contra DDoS e APIs.
- Monitoramento comportamental.
- Vinculação de dispositivos.
- Autenticação que não penalize usuários legítimos pelos atos de agentes mal-intencionados.
Como a IA está transformando funções e expectativas nas equipes de iGaming
Segundo o relatório 2026 Tendências de Talentos em iGaming da SOFTSWISS, 8 em cada 10 empresas de iGaming entrevistadas já utilizam ativamente ferramentas de IA. Isso impacta empregadores e colaboradores, levantando discussões sobre como as funções estão sendo transformadas — e não simplesmente eliminadas.
Globalmente, a IA esteve relacionada a 27% das 184 mil demissões no setor de tecnologia em 2025, segundo relatório do Silicon Valley Business Journal. Ainda assim, a transformação está mais ligada às tarefas do que aos cargos em si. O relatório de 2025 do World Economic Forum destaca que a IA está remodelando responsabilidades específicas e não extinguindo carreiras inteiras. A fronteira entre o que é realizado por pessoas e o que é executado por máquinas continua mudando — e, no iGaming, essa mudança acontece rapidamente.
O mercado já demonstra demanda crescente por profissionais capazes de supervisionar os resultados gerados por IA: a habilidade de avaliar criticamente o que um modelo produz tornou-se uma competência profissional. O relatório 2026 Tendências de Talentos em iGaming aponta que equipes sem supervisão sólida de IA correm o risco de ficar para trás à medida que essas ferramentas assumem mais responsabilidades.
Na engenharia, saber utilizar IA se tornou, silenciosamente, um requisito básico. Essa transformação abriu espaço para os chamados cargos “new-collar” — posições técnicas, como Data Annotators, que não exigem graduação universitária tradicional, mas demandam precisão e consistência para apoiar o treinamento e uso de sistemas de IA.
Denis Romanovskiy explica:
"Não é simples transformar abordagens e mentalidades de equipes que vêm realizando um excelente trabalho há anos quando uma nova tecnologia muda completamente princípios já estabelecidos. É por isso que o mercado demanda profissionais especializados em IA, capazes de implementar novas tecnologias e gerar apoio entre os colaboradores.”
Marharyta Kamolava, Head of QA at SOFTSWISS, acrescenta:
"Conhecimento técnico por si só não é suficiente — é preciso saber trabalhar com IA sem permitir que ela pense por você."
A IA se tornou o novo padrão do iGaming
Em 2025, operadores ainda decidiam se deveriam investir em IA. Em 2026, essa decisão praticamente deixou de ser opcional: a IA tornou-se um requisito não oficial para desenvolvimento de jogos, CRM e cibersegurança. A questão agora é como operar com IA de forma eficiente.
A diferença entre operadores com integração madura de IA e aqueles ainda em fase exploratória já pode ser medida. Ela aparece em indicadores de performance, decisões de contratação, exposição a fraudes e retenção de jogadores. Segundo o relatório 2026 Tendências de iGaming da SOFTSWISS, operadores devem concentrar esforços em quatro pilares:
- Infraestrutura: pipelines de dados confiáveis, monitoramento de modelos e controle de versões para suportar atualizações contínuas.
- Padrões: processos claros para testar modelos antes da implementação, especialmente em áreas relacionadas a compliance e proteção do jogador.
- Métricas de negócio: avaliação de resultados como performance de campanhas, redução de fraudes e valor do tempo de vida dos jogadores, e não apenas precisão técnica.
- Integração: conexão da IA entre marketing, pagamentos, compliance e desenvolvimento de jogos, utilizando dados compartilhados em vez de ferramentas isoladas.